sexta-feira, 16 de abril de 2010

Uma semana daquelas...




Ufa! Deu pra parar um pouco e escrever...
Minha semana tem sido agitadíssima! Eu tenho começado com um projeto do grupo de estudos do meu coven, a Ordem Sazonal dos Mistérios da Lua. Tanta coisa pra fazer! Organizei o ritual, as meditações e o material para o grupo de estudos. Estou me dedicando ao máximo ao grupo de estudos e espero obter bons resultados. As sementinhas já estão sendo plantadas, vamos ver agora se elas brotarão!
E também tem o wiccaning da minha filha, que está sendo mais do que organizado com a devida antecedência. Tá mais do que na hora da senhorita Inanna ser apresentada à comunidade pagã e aos Deuses.
Ah! Tem mais! Como se não bastasse, minha filha fez uma cirurgia dia 14/04 em função de uma pequena doença renal que ela tinha. Espero que tudo dê certo ao final! Espero que ela se recupere bem e bem rápido...
Peço a todos vocês leitores do meu blog que dirijam suas preces à minha filha amada.
Além de tudo isso, apesar de tudo isso... Ainda estou estudando! E essa semana é a semana de provas!
Mas essa agitação, esse movimento eu adoro... Me faz muito bem, muito feliz mesmo lembrar que até os tornados, os furacões e os tsunamis são da Deusa, daquela mesma Deusa de águas calmas e cristalinas...
Bom final de semana para todos os meus leitores!

Abençoados sejam!
Sici.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Carta do Chefe Seattle

Leitores do diariodeumaoceanide!


Resolvi postar no blog a carta do Chefe Seattle ao presidente dos EUA. Este é um dos textos mais envolventes acerca do meio-ambiente. Para aqueles que já conhecem, permitam-se reviver esta carta e meditar sobre ela. Para aqueles que não conhecem, permitam-se sentir ser um com a natureza. A Gaia está doente, precisamos fazer algo. Precisamos curá-la por um mundo melhor!

















Em 1854, "O Grande Chefe Branco" em Washington fez uma oferta por uma grande área de território indígena e prometeu uma "reserva" para os índios.

“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós. Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los? Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.
Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoa nas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo, é sagrado na memória e na experiência de meu povo.
A energia que flui pelas árvores traz consigo a memória e a experiência do meu povo. A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias do homem vermelho.
Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da Terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos.
Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, todos pertencem à mesma família.
Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós.
O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugar onde poderemos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra. Mas não vai ser fácil. Pois esta terra é sagrada para nós.
A água brilhante que se move nos riachos e rios não é simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais.
Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas da vida de meu povo.
O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai. Os rios nossos irmãos saciam nossa sede. Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês, e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo carinho que têm para com seus irmãos.
Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras. Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa. A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele o vence, segue em frente. Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa. Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa. O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos são esquecidos. Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes. Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto.
Não sei. Nossas maneiras são diferentes das suas. A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho. Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende. Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco. Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou o ruído das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo. A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos. E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa. Sou um homem vermelho e não entendo.
O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros. O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo hálito. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo há dias esperando a morte, ele é insensível ao mau cheiro.
Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos com toda a vida que ele sustenta.
Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada, como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o vento que é adoçado pelas flores da campina.
Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não entendo de outra forma. Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os matou da janela de um trem que passava. Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fuma pode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamos para ficarmos vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreriade uma grande solidão do espírito. Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem. Todas as coisas estão ligadas.
Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés é as cinzas de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra é rica com as vidas de nossos parentes.
Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra. Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.
Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem – o homem pertence à Terra. Isto nós sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Todas as coisas estão ligadas.
Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela. O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum. Podemos ser irmãos, afinal de contas.
Veremos. De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um dia descobrir – nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo. Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para como homem vermelho quanto para com o branco. A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo por seu criador.
Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos. Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade, queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e para algum propósito especial lhes deu domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho.
Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando os búfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista das montanhas maduras manchadas por fios que falam.


Onde está o bosque?
Acabou.
Onde está a águia?
Acabou.
O fim dos vivos e o começo da sobrevivência.”

Abençoados sejam!
Sici.

terça-feira, 30 de março de 2010

Desenhando a Lua


Por Sophia WestWind

Abro a janela para sentir a brisa da noite. Quem sabe o vento traga respostas para as minhas perguntas? Então eu fecho a janela da sala atrás de mim, que dá acesso ao terraço da minha casa. Lá só eu, a Lua e as estrelas compartilhando do sentimento de estar no Todo, de ser o Todo.
Então a Lua derrama sobre mim os Seus raios luminosos. Esta é a primeira noite de Lua Cheia e, mesmo que não fosse a primeira, provocaria o mesmo sentimento de fazer parte de algo maior, além da compreensão humana. Um mistério infindável e desconhecido se abriga na sombra da Lua... De onde vem o Seu magnetismo? Por que Ela influencia as marés da Terra? Por que Ela desperta tantos sentimentos nos seres humanos?
Um Universo a ser explorado, um mundo a ser conhecido. Mas naquele momento eu me dediquei apenas à Lua, cujo brilho é suave sobre a Terra. Contemplei-A admirada, apaixonada. Sabe-se lá por quem ou pelo quê. Viver é uma arte quando a gente se permite. Eu percebi que o mundo é feito de muitas perguntas e poucas respostas.
O silêncio foi cortado pelo som da televisão. Alguém na sala assistia um programa de auditório. Há pessoas que são assim - elas vivem para trabalhar, comer e assistir TV. E quando vêem, o tempo passou. A vida passou, tudo passou. Só que a vida não espera para ser vivida. E o que dizer de mim? Eu continuo aqui, desenhando a Lua...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Notícias estranhas...

Então... Eu estava em casa mexendo em uma grande caixa de livros meus quando encontrei um livro sobre notícias estranhas da Agência France Presse. O livro é ótimo! É uma antologia de notícias estranhas que um jornalista desta agência coleciona.
Assim, de vez em quando vou postar uma ou outra aqui. Espero que gostem!

Seria meu pai minha mãe?

WASHINGTON, 8 dez. - Um homem barbudo está preso desde quinta-feira no pavilhão das mulheres da penitenciária do condado de Prince George, próximo a Washington. Ele poderia ser a mãe das crianças das quais diz ser o pai.
L.A. Bowie, 39 anos, foi preso em consequência da inculpação de dois de seus filhos e outros suspeitos por roubos e assassinatos. Segundo o Washington Post, que traz a notícia na edição de sexta-feira, os inspetores encarregados de vistoreá-lo tiveram a surpresa de descobrir que sua anatomia não era tão masculina quanto fazia supor sua barba abundante.
Interrogado, Bowie falou primeiro de um acidente, depois de uma cirurgia e declarou finalmente que também respondia pelo nome de Linda Ann Bowie. Os policiais, embaraçados, se contentaram em registrá-lo com as iniciais L.A. e o enviaram para a prisão onde os médicos, depois de examiná-lo, decidiram por seu encarceramento no pavilhão de mulheres.
Bowie continua a afirmar que é o pai de Damon e Christian Bowie, seus dois filhos inculpados. A polícia, por seu lado, acrescentou um novo dado à sua investigação. Seria L.A. Bowie papai ou mamãe?

Do livro "Pequenas Notícias - Um patético retrato da natureza humana através das pequenas notícias dos jornais de Michel Vergez & Agência France Presse, editora L&PM

quinta-feira, 18 de março de 2010

Harmonia

Para quê se preocupar com o que escrever sobre mim? As palavras fluem, como os acordes de uma canção, em plena harmonia... Hoje acordei assim, com esse humor e essa cara! Cara de quem vive sonhos e esperanças pro futuro.
Esses dias fiz um ritual para a Deusa Kali e o Deus Shiva, pedindo para que ceifassem da minha vida todas as coisas que não merecem mais ser mantidas... E deu certo! Muitas dessas coisas estão caindo por terra. Hoje é meu dia e só meu: ninguém vai tirar isso de mim. Ninguém vai tirar de mim a satisfação de estar vivendo uma semana preciosa na companhia das pessoas que eu amo, algumas tão perto, outras tão distantes... Mas não há tempo pra melancolia! É preciso correr porque a vida segue o seu próprio curso: tudo no tempo certo, tudo está nas mãos dos Poderosos...
Pra entender um pouco de mim, um pouco do que eu sou, você tem que mergulhar num mundo de muita filosofia e religião, um pouco de história e sociologia talvez, algo de literatura, um certo romantismo misturado com amor a arte...  E a Arte! Sim, porque temos duas artes aqui (ao menos duas na minha vida). Uma é a arte dos artistas, poetas e filósofos, ela quase se confunde com a última que também é arte: a Arte dos sábios. Esta é a Arte de transformar, moldar e dobrar as coisas no meu caminho, mas sem prejudicar os irmãos e irmãs...




Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
(Pablo Neruda)

Sici.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Vodu


História

O Vodu (por vezes chamado de Sèvis Gine ou "serviço africano") é uma mescla de elementos dos povos Ibo, Congo da África Central e o Yorubá da Nigéria, embora outros povos tenham influenciado as crenças voduístas, como os índios Taíno, nativos do Haiti. Várias formas de Vodu existem nos países por onde passaram os imigrantes haitianos. É similar a religiões africanas como Lukumi, Regla de Ocha (ou Santeria), Candomblé e Umbanda, uma religião brasileira.
Grande parte dos escravos africanos que vieram ao Haiti eram da Costa do Guiné, na África ocidental. Seus descendentes foram os primeiros voduístas.
O Vodu africano diferia do Vodu hatiano por este último ter de submeter o seu Iwa (espíritos) ao disfarce de santos católicos.
Vodu como é conhecido hoje é o sincretismo de muitas culturas e etnicidades diferentes. Sob a escravidão no Haiti, a cultura e a religião foram suprimidas, as linhagens foram fragmentadas e as pessoas tiveram que ocultar seu conhecimento religioso, gerando uma unificação.
Uma cerimônia importante para a história do Vodu foi a de Bwa Kayiman de agosto de 1791, que começou a com a revolução haitiana. O espírito de Ezili Dantor possuía um clérigo e recebia um porco preto como oferenda, fazendo com que os presentes jurassem  por liberdade. O povo do Haiti libertou-se da colonização francesa em 1804, quando então o país se tornou uma república.
Com a leva de imigrantes haitianos que fugiam da ditadura de Duvalier para os EUA, o país teve um crescimento em práticas voduístas entre 1960 e 1970.
Além do Vodu existem outras crenças semelhantes no Haiti, como Makaya, Rara e algumas sociedades secretas.
A prática dos bonecos de Vodu não é original do Vodu e tem base em dispositivos mágickos europeus tais como a "poppet". Semelhante aos bonecos também encontra-se o nkisi ou o bocio da África ocidental e central.
No Haiti, Vodu é uma religião oficial. No Brasil se misturou ao catolicismo nordestino e aos cultos afros.
O termo Vodum ou Vodu teve sua origem no oeste dea África, num reino chamado Daomé (atual Benin). Como no século XIX a Igreja Católica demorou por difundir a religião no Haiti, os escravos africanos logo viram a possibilidade de unir elementos do catolicismo com o Vodu.
O presidente haitiano Jean Bertrand Aristides declarou o Vodu como religião oficial do país em abril de 2003. Sendo assim, os casamentos no Vodu passaram a ter valor religioso.
O Vodu foi criado nas Antilhas por escravos africanos que tinham sido vendidos para os comerciantes de escravos pelos sequestradores africanos e transportados para o Caribe. O comércio de escravos ocorreu em várias tribos africanas, por isso a religião tem diferente formas.

Crenças

"A busca permanente pelo oculto, em geral, é o que todos fazemos ao tentar alargar nossos conhecimentos, o que pode ser saudável pois muito do conhecimento filosófico e científico construído pela humanidade se originou de `mistérios tidos como ocultos no passado, mas que estão desvendados no presente." (Any Lilian, psicóloga e professora universitária)

O Vodu é uma religião sincrética e seu sincretismo se deu pela tentativa dos escravos de esconderem a sua religião pagã de seus senhores, que haviam os proibido de praticar.
Além do mais, para combinar os espíritos de muitas e diferentes nações africanas, parte da liturgia católica foi incorporada ao Vodu para substituir rezas ou elementos perdidos. As imagens de alguns santos católicos representam os espíritos.
O Vodu tem raíz semelhante ao Candomblé praticado no Brasil, que também descende de religiões tribais da África.
No Vodu se venera um Deus principal, chamado `Bon Dieux` (Bom Deus) e os antepassados. Os sanguinários ditadores haitianos François e Jean-Claude Duvalier usavam rituais de Vodu para amedrontar suas vítimas. A palavra vem do africano "Dahomey vodun" ou Vodun, que significa espírito.
Acredita-se no Vodu que há um Deus criador de tudo, "Bondje" ou "Bon Dieux", distinguido do Deus dos brancos pelo hougan Boukman em Bwa Kayiman. Bondje é distante de Sua crianção, bem como os espíritos que auxiliam o voduísta e os antepassados. O voduísta adora o Deus e serve os espíritos, que são tratados com honra e respeito como se fossem membros mais velhos de uma casa. São vinte e uma "nanchons" (nações) de espíritos, por vezes chamadas de "Iwa-yo". Algumas das nações mais importantes do Iwa são o Rada, o Nago e o Kongo. Os espíritos também possuem famílias que compartilham um mesmo sobrenome, como Ogou, Ezili, Azaka ou Ghede. A família de Ogou é de soldados, o Ezili governa as esferas femininas da vida, o Azaka governa a agricultura, o Ghede governa a morte e a fertilidade. No Vodu dominicano há uma família de Água Doce, que abrange os espíritos dos índios.
No Vodu haitiano os espíritos são divididos em duas categorias: Rada, que são espíritos frios e Petro, que são os espíritos quentes. Podem ser perigosos se irritados ou contrariados. Diz-se que cada pessoa possui relacionamento com espíritos, em especial um espírito em particular que se diz "possuir sua cabeça". O "met-tet" (como é chamado) pode ser o espírito mais ativo da vida de alguém. Ao servir os espíritos, o voduísta busca conseguir a harmonia com sua própria natureza individual e o mundo em torno dele, manifestado como fonte de poder pessoal relacionado à vida.
O Vodu foi associado à bonecos de Vodu e zumbis. Há uma evidência etnobotânica que se relaciona à criação do zumbi. É um fenômeno menor dentro da cultura rural do Haiti e não propriamente uma parte da religião Vodu. A prática de furar com agulhas bonecos de Vodu para magia simpática é usada por alguns seguidores do "Voodoo de Nova Orleans", uma variante local do Vodu.
Os bonecos de Vodu não fazem parte do Vodu haitiano, embora os bonecos para turistas possam ser encontrados em Port-au-Prince, capital do Haiti.
Maio é o período mais ativo para os voduístas, pois é o mês em que as magias e rituais da felicidade são intensificados.
O panteão do Vodu veio do oeste africano. As entidades desses panteões são pessoas que já morreram, homens que tiveram importância dentro da comunidade religiosa, príncipes e sacerdotes. Essas entidades são loas: os Rada, que são entidades transmitidas por Daomé e os Petros que são entidades que, ao longo do tempo, foram agregados ao Vodu.
Uma crença Vodu diz que os primeiros homens criados eram cegos e foi justamente a serpente que conferiu visão à espécie humana. Isso explica alguns cerimoniais voduístas com serpentes.
Os voduístas haitianos crêem que o homem possui duas almas: Gros bon ange (grande anjo bom) tem a capacidade de sair do corpo enquanto a pessoa dorme. Se não retornar, a pessoa morre. Petit bon ange (pequeno anjo bom) protege e guia o adepto. Quando a pessoa morre, ela permanece por alguns dias guardando o corpo. Somente um período de nove dias após o sepultamento é realizado um ritual para afastá-la.
Os praticantes acreditam que Petit bon ange se transforme em algum objeto ou animal, geralmente uma serpente. Após a transformação, se os rituais (realizados pelos parentes) forem negligenciados, a vingança de Petit bon ange se volta contra eles.
O propósito do Vodu é permitir que os loas, que possuem o poder das forças naturais, se manifestem no corpo humano vivo, de modo que a pessoa possuída possa ser fortalecida por sua energia e sabedoria divina.
Diz-se que quando a pessoa fica sob a possessão de um loa, o espírito sobe em seus ombros da mesma forma que um cavaleiro monta um cavalo.
Sem a posse dos corpos físicos e as oferendas deixadas na encruzilhada à meia-noite, os loas deixariam de existir.

A Prática

Não é uma exigência ser iniciado para servir os espíritos. A responsabilidade do clero no Vodu é preservar os rituais e canções e manter o relacionamento dos espíritos com a comunidade. Os sacerdotes são chamados "hougans" e as sacerdotisas "mambos". Os noviços são "housins", dedicados aos seus mistérios pessoais. As pessoas servem aos espíritos de acordo com a sua natureza e estes são revelados por meio de cerimônias, leituras ou sonhos. Mas elas também servem aos seus antepassados de sangue e o culto a eles é a base da religião Vodu.
Durante um dia ou dois prepara-se os altares e alimentos para a cerimônia. Então começam os rituais com algumas preces e cantigas católicas, uma litania em Kreyol e no "langaj africano" que abrange todas as entidades da casa e depois uma série de invocações para os espíritos principais da casa. Após canções introdutórias e o saudar de Hounto, espírito dos tambores, canta-se para a família de Legba com todos os espíritos de Rada. Então a parte Petro do ritual começa e logo após cantigas para a família Ghede. Então os indivíduos são possuídos pelos espíritos, que dão consultas, conselhos e curas. Nas primeiras horas da manhã as últimas canções são entoadas e despede-se os convidados.
O voduísta tem um altar para os seus antepassados e os espíritos que serve com imagens dos espíritos, perfumes, alimentos e outras oferendas. O altar mais simples consta de uma vela branca, um copo d`água e talvez uma flor.
Em alguns lugares a iniciação é o sèvis-tet ("lavagem de cabeça"). Em outros é o kanzwe (ou kanzo) com três classes de iniciação.
O Vodu possui um templo com uma coluna central chamado poteau-mitan, repleta de desenhos decorativos chamados vevers. Esses desenhos são representações heliográficas das entidades. Essa coluna é considerada sagrada pelos seguidores.
O Vodu é considerado por alguns como religião matriarcal, na qual a mambo é conhecida também como rainha, porém é o hungan que preside o hunfort, o santuário religioso.
As cerimônias são realizadas no período noturno. Bebidas de rum e frutas e sacrifícios de aves, porcos, galinhas, bodes e outras oferendas são oferecidas aos loas, que possuem os corpos dos indivíduos.
As serpentes fazem parte de alguns rituais. No ritual chamado mambo a sacerdotisa toca em uma serpente retirada de um cesto. Supostamente ela recebe visão especial e poderes sobrenaturais.
O boneco de Vodu é feito para invocar os poderes dos Deuses e é chamado de fetiche, que significa feitiço. Durante o ritual em que se faz o boneco a pessoa deve mentalizar seus objetivos e transmitir energia ao boneco.
O boneco deve ser feito semelhante a pessoa que vai representar e é importante modelar seus órgãos genitais. Ele precisa ser batizado com o nome dessa pessoa e geralmente é feito de barro.
O boneco deve ser feito para realizar o bem, para alcançar prosperidade e cura.
Os zumbis dos quais se ouve muito falar são resultado de uma mistura de ervas que deixa a pessoa em um estado de morto-vivo. Para o médico Carlos Alberto Serafim, esses compostos deixam o batimento cardíaco mais lento. As ervas usadas pelos sacerdotes dilatam as pupilas, fazendo a pessoa perder a sensibilidade à luz e deixando-a em um estado de transe, o que facilita o ritual.
O pesquisador e antropólogo do museu botânico da universidade de Harvard, Estados Unidos, Wade Davis explica:
"O ritual se dá por meio da magia negra (...) a vítima tem todo o indício de morte aparente, quase não respira, tem a pele fria, quase não tem pulsação e, mesmo assim, está viva."
Isto se deve ao fato da pessoa ficar horas sem oxigenação no cérebro, o que reduz o seu nível de consciência. Entre a fórmula utilizada pelos feiticeiros encontra-se narcóticos, tetradotoxina, veneno neurotóxico e até veneno de rãs.
A magia negra é praticada por bokors. Sacerdotes que trabalham com integridade dificilmente adotarão esta prática no Vodu.
Cada loa deve ser reverenciado em seu dia próprio e alimentado com oferendas de galinhas ou cabras sacrificadas, frutas e outros alimentos.
A música tem muitas funções em um ritual Vodu. A combinação de ritmos tocados por baquetas, tambores médio e mestre e um par de pratos de metal chamado ogan coloca os dançarinos em transe. A manipulação do ritmo, da métrica e de interrupções rítmicas chamadas casses ajuda a compor o cenário do ritual.

Legado para a Sociedade

No Vodu considera-se fundamental valores como honra e respeito - ao Deus, aos espíritos, à família, à sociedade e a si mesmo. Há o que é apropriado e o que é impróprio para cada indivíduo de acordo com os espíritos que a pessoa serve. O amor e a sustentação são valores importantes. A generosidade em dar à comunidade e aos pobres são outras características.
Como o Vodu é uma religião extática e não de culto à fertilidade, não discrimina homossexuais. Existem templos ao redor do mundo presididos apenas por hougans e mambos homossexuais.

Vamos fazer magia?

O Vodu do amor

O Vodu não transmite apenas a magia negra, cujo propósito é ferir alguém. As pessoas que trabalham com Vodu são também vistas como peritas no amor; em resguardar o amor, em restituir o amor e... vingar-se de um parceiro traidor!
Uma mulher solteira que queira encontrar um noivo, e a ênfase aqui está no noivo, ao contrário de um homem para uma única noite de prazer, deve comprar um dedal de metal novo, como os que se usam para costurar, com seu próprio dinheiro. Então, ela deve pegar uma peça de vestuário vermelha e cortar um pedaço de seu tecido que tenha um tamanho suficiente para embrulhar o dedal. Deve embrulhá-lo em uma manhã de domingo. (Alguns dizem que é melhor embrulhá-lo em uma manhã de domingo após o seu ciclo menstrual.) Ela deverá costurar o pedaço de tecido ao redor do dedal com linha vermelha.
Daí por diante, ela não deve sair de casa sem o dedal embrulhado em sua bolsa ou bolso. Precisa também dizer a si mesma, em silêncio: "Assim como este tecido envolve o meu dedal em amor, assim também o meu pretendido me envolverá com seu amor."
Após ter encontrado um noivo - e quando um feiticeiro ou feiticeira de Vodu promete um noivo, com certeza ele virá - a mulher deve queimar o pedaço de pano e a linha vermelha, e enterrar o dedal na terra. Ela nunca deve contar a seu marido sobre os meios pelos quais conseguiu conquistá-lo.
O uso deste feitiço é bastante difundido no sudeste nos Estados Unidos (principalmente na Flórida e Louisiana) e nas ilhas do Caribe.
Em Cuba, existem pessoas que dizem que uma mulher deve furar seu dedo com uma agulha, enxugar o sangue em um pedacinho de tecido e embrulhar o dedal com este tecido.
Na África, o berço do Vodu, há um costume em que uma mulher solteira pica o pênis de seu irmão mais velho com uma agulha, umedece um pedaço de tecido branco com o sangue e passa a carregar este tecido com um prego, em um pequeno saquinho de couro entre seus seios. Já que a atividade sexual é permitida e encorajada entre mulheres solteiras nessas tribos, há tribos em que uma mulher que deseje se casar deve introduzir o pedaço de tecido em seu útero toda vez que tenha relação sexual com um homem que não seja o seu pretendido marido. (Na realidade, o tecido serve como um dispositivo anticoncepcional.) Quando chegar o homem com quem ela pretende se casar, o pedaço de tecido permanece no saquinho de couro.

"Tudo Sobre a Wicca do Amor", Tabatha Jennings, editora Madras.

Sici.





segunda-feira, 1 de março de 2010

Eu, o Buda... Mais alguém faltando?


São exatamente 2h 36 da madrugada do dia 1º de março (meu aniversário) quando começo a escrever uma poesia para um rapaz muito especial na minha vida e que está deprimido. Convencionou-se chamar então esse rapaz de "Evan".

Reconstruindo

Algo me diz que você está triste.
Eu não quero ver isso novamente, não com o homem que eu amo.
São inúmeros os motivos.
Então uma tristeza profunda cavou sua cova.

Se eu pudesse estar do seu lado
Te abraçaria forte e te protegeria
Do frio, da dor, do mau tempo
E secaria todas as suas lágrimas.

Então começaríamos tudo novamente
E eu estaria do seu lado, aguentando firme
Porque é preciso muito amor pra dissipar as trevas do seu olhar
Mesmo assim eu reconstruiria tudo, pedra por pedra.

Um dia, num passado muito distante
Eu prometi que estaria com você sempre.
Eu prometi segurar com força a sua mão
Quando você estivesse perdido e cansado.

Nesta madrugada insone eu chorei sua dor.
Eu sentei diante do altar e pedi aos Deuses
Para acalmarem seu coração e lembrá-lo
De que nunca estará sozinho.

Nós começaremos tudo novamente
E eu estarei do seu lado, aguentando firme
Porque é preciso muito amor pra dissipar as trevas do seu olhar.
Mesmo assim eu reconstruirei tudo, pedra por pedra.

E seus sonhos estarão lá,
Prontos para continuar.
E sua esperança estará lá,
Ao lado da minha...

Eu estava tão tranquila ao lado do Buda chinês na Redenção. Este foi um dia maravilhoso.
Eu arranjei um pseudônimo para o meu namorado. Agora ele se chama "Evan" e a ele eu vou atribuir, sempre que puder, milhares de declarações de amor. Tão distante e tão próximo sempre...
Hoje meu dia foi maravilhoso. Eu encontrei uma amiga e conversamos por horas sobre coisas banais... Mas eu precisava! Eu sinto que precisava encontrá-la porque só a presença dela me faz bem. Minhas aulas começam na semana que vem. E eu ainda estou na luta, em busca de um emprego... Quem sabe desta vez eu tenha mais sorte! Mas é isso, não tenho muito o que falar sobre mim... Estou feliz com minha vida, sonho e esperanças. Queria que algumas coisas fossem bem diferentes, mas o que posso fazer? A vida é assim mesmo, a vida e seus mistérios...

Sici.